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sábado, setembro 10, 2011

Ancestrais



Peço a meus deuses ou à soma do tempo
que meus dias mereçam o olvido,
que meu nome seja Ninguém como o de Ulisses,
mas que algum verso perdure
na noite propícia à memória
ou nas manhãs dos homens.

Jorge Luis Borges


Há sensações e percepções que às vezes são despertadas em momentos que não esperamos, por situações que não poderíamos prever. Neste momento, o fato de não ser uma criatura isolada no tempo me atingiu com toda a força. Para (tentar) ser mais claro, isso quer dizer o fato de que sou o produto de um processo que começou séculos, milênios ou milhões de anos antes do meu nascimento, conforme eu queira me ater aos aspectos históricos, raciais ou biológicos da coisa. Pois eu, como de resto qualquer ser humano, sou o resultado da combinação de todos esses fatores. Eu, e quem estiver me lendo neste momento, somos o que saiu de uma panela onde todos esses ingredientes foram postos a cozinhar juntos durante eras. Será que valeu a pena?...

Só para registro, o que causou esse acesso de loucura foi o CD Lepta (título que, vejam só, quer dizer história, no sentido de conto, narrativa), da banda russa Arkona. Mal entendo uma ou outra palavra do que está sendo cantado, mas mesmo assim a música tem o poder de despertar coisas em mim que me perturbam com uma sensação de "ancestralidade". Não parece vir ao caso o fato de eu não ter, que eu saiba, nem o mais remoto traço de ascendência eslava.

Há tanta coisa que faz de nós o que somos - e é um tanto assustador pensar que talvez nem dez por cento disso tenha a ver com nossa vontade, com nossas escolhas, com qualquer coisa que possamos controlar. O homem é o sujeito da História, dizem, e talvez seja, mas "homem", aí, não quer dizer os homens, e sim o Homem - a Humanidade, para a qual pouca diferença fazem os pensamentos que volta e meia entram em turbilhão dentro da cabeça de um indivíduo.

Ou podem fazer diferença, de uma forma que ninguém imaginaria.

Em 1999, quando eu tinha 25 anos, escrevi uma tentativa de poema épico sobre a conquista da Bretanha pelos romanos - pelo que me lembro, historicamente correto, literariamente patético. Meu eu-lírico era um simples legionário dentre os milhares que participaram da primeira expedição (fracassada) e mais tarde da segunda, bem-sucedida. O poema era dividido, acho, em quatro partes: a primeira tinha um tom ufanista, de estamos-indo-conquistar-uma-nova-terra; a segunda era mais realista e dolorosa, pois falava de como os sonhos romanos de conquista foram atropelados pela realidade a bordo das carruagens de guerra bretãs e de como os pretensos conquistadores foram forçados a se retirar; a terceira tratava da segunda expedição, agora mais cautelosa e inteligentemente planejada, e de seu sucesso; e a quarta parte era a que realmente me interessa aqui. Nela, o legionário perguntava-se: tudo bem, vencemos - e agora? E, no meio de muitos versos tão canhestros que espero que ninguém jamais os leia, ele dizia o que hoje me parece ser a única frase aproveitável de todo o poema: "Sendo senhor, sinto-me tão pequeno!" Pois tinha chegado a compreender que era apenas o elo atual de uma corrente que vinha de um passado longínquo e desconhecido, e estendia-se até um futuro impossível de imaginar. "Uma pedra numa longa muralha."

Aflitivo? Depende de como se olhe. A imensidade do tempo pode nos levar a sentir que qualquer coisa que realizemos será minúscula e transitória - e será mesmo. Porém, minúscula e transitória não quer dizer insignificante. O passado longínquo e o futuro inimaginável não pertenceriam um ao outro se não houvesse aquele pequeno elo, ali, talvez despercebido, mas indispensável. A muralha estaria incompleta sem aquela única pedra.

Goethe escreveu que o que herdamos de nossos ancestrais precisa ser merecido antes que passe verdadeiramente a ser nosso. Olhando para a outra extremidade do mistério, eu acrescentaria que o que deixaremos para nossos descendentes precisa ser algo que valha a pena, para que nossa estada neste planeta tenha tido um sentido. O que me leva a reformular o que pensei há pouco sobre aquilo que nos tornamos ter pouco a ver com nossa vontade. No fundo, temos escolha, embora não tanta quanto gostaríamos: não podemos escolher as coisas que nos acontecem, mas podemos escolher de que modo vamos enfrentá-las. E isso, no fim das contas, pode ser a escolha mais importante - e a que dirá que tipo de elo nos tornaremos naquela corrente infinita.

quinta-feira, agosto 18, 2011

For the Sake of Revenge

Escrevi um comentário (não gosto de chamar de crítica) sobre o DVD For the Sake of Revenge em 2007, e desde então ele esteve esquecido no meu computador. Quando o redescobri, decidi que valia a pena colocar aqui no IW, já que tenho gostado bastante da experiência de escrever sobre música e o blog foi pouco atualizado este ano. A versão que apresento aqui teve pouca coisa mudada, exceto pela exclusão de um parágrafo inicial que tratava do boom do heavy metal na Finlândia, ideia que reaproveitei no meu comentário sobre o Korpiklaani.

Pessoalmente, considero o Sonata Arctica um dos expoentes mais interessantes da safra finlandesa que conheci nos últimos anos. Críticos metidos a sofisticados torcem o nariz, rotulando-o como um "clone de Stratovarius" - sem contar que bandas de metal melódico como um todo são geralmente consideradas caça legal pela maior parte dessa raça. O que me cumpre dizer é que quem deixar de conferir o som dos caras por causa de preconceitos desse tipo estará se privando de algo maravilhoso.

Este DVD é uma bela opção para os fãs que desejarem conferir ao vivo as músicas dos álbuns da banda, e ao mesmo tempo uma ótima introdução para quem ainda não os conhece. Ele traz um concerto gravado no Japão em 2006, com repertório muito bem escolhido, som e imagem impecáveis, e, claro, um desempenho irrepreensível do quinteto finlandês. Inclui também uma utilíssima discografia, fichas pessoais dos integrantes (por alguma razão misteriosa, essa parte é intitulada Biography) e um documentário gravado durante a turnê japonesa, ao qual, para ser sincero, não consegui assistir: sei que há quem ache interessante, mas eu sofro de uma incurável tendência a bocejar incontrolavelmente quando tento assistir a documentários de rock. Se pago por um DVD de música, o que espero dele é música: quero ver e ouvir a banda tocando. Não tenho qualquer curiosidade de ver os músicos desembarcando no aeroporto, ou aquelas brincadeirinhas "divertidas" no ônibus e no backstage, ou ainda pessoas que provavelmente fazem parte da equipe que trabalha com a banda, mas que não tenho a menor idéia de quem sejam, falando em finlandês, com legendas em inglês, sendo que a maior parte do que dizem não parece fazer o menor sentido.

E já que música é o que interessa, é de música que vamos falar. O Sonata Arctica é uma daquelas bandas que conquistam logo à primeira ouvida quem aprecia a fusão de beleza melódica, peso e técnica. Todos os músicos são excelentes, ainda que o cantor Tony Kakko monopolize a atenção da platéia. Em tempos também tecladista da banda - função hoje exercida pelo ótimo Henrik Klingenberg, de modo que Kakko fica livre para se concentrar apenas nos microfones -, o frontman é também o principal compositor, responsável por canções emocionantes como Kingdom For a Heart, 8th Commandment, Replica, Victoria’s Secret, todas presentes no DVD. Porém, o verdadeiro hino dos fãs da banda vem quase no início do setlist, para ser mais exato é a terceira música: falo da indescritivelmente maravilhosa FullMoon, que aqui é apresentada em sua versão mais matadora, superior não só à gravação original (do primeiro álbum da banda, Ecliptica), mas também à outra versão ao vivo já existente, encontrada no álbum Songs of Silence - Live in Tokyo. Aqui, além de o duelo entre Klingenberg e o guitarrista Jani Liimatainen estar mais inspirado que nunca, música ganhou um final emocionante, aparentemente um excerto da música White Pearl, Black Oceans, que é do álbum Reckoning Night. Infelizmente não conheço esse álbum, que não consegui adquirir porque, dizem, está fora de catálogo (alô, Laser Company). Victoria’s Secret, essa nem era uma de minhas músicas preferidas nos álbuns do Sonata, mas, depois de conferir em DVD a tremenda energia que a banda coloca nela ao vivo, até a minha maneira de ouvi-la mudou. E que dizer então da vertiginosa 8th Commandment? Nessa música, a beleza do trabalho instrumental não desmereceria qualquer composição clássica, mas a isso ainda se mesclam várias mudanças de tempo que provocam aquele frio no estômago impossível de descrever, mas que todo fã de metal bem tocado conhece - aquela maravilhosa e quase incontrolável vontade de "agitar". O show passa ainda por outras músicas maravilhosas como Blinded No More, Black Sheep, San Sebastian, Shamandalie, Sing in Silence (talvez a única da qual gosto mais na versão de estúdio), fechando com a empolgante The Cage... Quer dizer, fechando de certa forma, pois no final dela a banda resolveu encaixar Vodka, uma espécie de brincadeira com uma melodia folclórica israelense, na qual os músicos tentam tocar cada vez mais rápido. Perfeitamente dispensável, a meu ver. Mas o importante é: For the Sake of Revenge é um DVD magnífico e amplamente recomendável a fãs e curiosos. Como atrativo extra, ainda vem um CD contendo uma "versão compacta" do show: o áudio de 15 das 25 músicas que aparecem no DVD.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Korpiklaani

A história do heavy metal, a exemplo da história da humanidade, parece dividir-se naturalmente em eras, só que, no caso do gênero musical, é claro, elas se sucedem com muito mais rapidez; mas, como na História em geral, cada período tende a ser marcado pelo predomínio de uma determinada nação. O heavy metal nasceu na Inglaterra, que por longo tempo foi a Meca do gênero. Mais tarde, aproximadamente dos anos 80 aos 90, a Alemanha assumiu o posto. E hoje, no início deste novo milênio, parece ter chegado a vez da Finlândia, que, num tempo surpreendentemente curto, começou a revelar ao mundo boas surpresas uma atrás da outra - e refiro-me tanto a bandas novas quanto a outras que, já com bons anos de estrada em seu país, só recentemente conseguiram o merecido reconhecimento além-fronteiras. O fenômeno cobre uma vasta diversidade de estilos: metal melódico tradicional (Stratovarius, Sonata Arctica), folk/viking metal (Turisas), fantasy metal com influências diversas (Battlelore, que teve a grande sacada de usar no metal épico a alternância de vocais masculinos guturais com femininos etéreos, até então uma característica de bandas de doom/death metal dos anos 90), e, claro, o hoje mundialmente famoso Nightwish, que apostou numa fórmula ousada ao misturar metal melódico e elementos progressivos com vocal de ópera, e acabou caindo no gosto popular ao ponto de chegar ao megaestrelato. Não obstante, em minha opinião a coroa de banda mais original e curiosa da nova safra finlandesa vai para o Korpiklaani. Conheci graças a algumas faixas encontradas na internet, e, tradicionalista que sou, em vez de "baixar" os álbuns completos, acabei comprando três deles: Tervaskanto, Korven Kuningas e Karkelo.

No próprio nome, que significa algo como "Clã da Floresta", nas capas dos discos e no visual cultivado pelos músicos, a banda já entrega seu objetivo, que é o de fazer um som que tenha tudo a ver com o folclore de seu país. A maioria das letras é em finlandês, e, embora dessa língua eu só conheça umas 20 palavras e nada da gramática, de modo que não tenho como ver a diferença, li em algum lugar que são coalhadas de palavras e expressões típicas de dialetos locais ou de uma modalidade arcaica da língua - não é "finlandês para executivos". De qua
lquer forma, quem se liga muito na parte lírica, como eu também, não precisa se preocupar, pois os encartes dos CDs trazem tudo traduzido para o inglês.

O som é aquilo que a imprensa musical definiria como "folk metal", e por vezes com mais ênfase no "folk" que no "metal", o que talvez não agrade a alguns headbangers mais radicais, mas sem dúvida mexe com quem aprecia música de qualidade, independentemente de rótulos. Peso e velocidade não faltam (de forma alguma!), mas a música do Korpiklaani tem durante a maior parte do tempo um astral muito alegre e até festivo, coisa que não costuma ser associada ao heavy metal. A cabeça pensante da banda parece ser o vocalista e guitarrista Jonne, cuja voz rouca e sonora é sem dúvida uma de suas marcas registradas; completam a formação Hittavainen (viola, violino, rabeca, flauta), Cane (guitarras), Matson (bateria e percussão), Jarkko (baixo) e Juho (acordeon e guitarra acústica). E, palavra de honra, a emoção que os caras colocam em cada nota que tocam é coisa que ouvi em poucas bandas até hoje! Como disse, o sentimento predominante é o de alegria, é o tipo de banda que dá para imaginar tocando numa taverna para um público ruidoso e animado: músicas como Wooden Pints, Tervaskanto, Erämaan Ärjyt, Juodaan Viinaa, Vodka, Bring us Pints of Beer e inúmeras outras são exemplos magníficos. Mas, como até a alegria cansa se for permanente e imutável, há as exceções, como a bela e melancólica Gods on Fire (uma das poucas com letra em inglês), que aborda a questão ecológica de maneira um tanto pessimista, concluindo que "o que está feito, está feito"...

Uma coisa que eu, pessoalmente, precisei relevar para me tornar um fã da banda foi a característica que aparece nos próprios títulos de várias das músicas que acabo de citar: praticamente um terço das letras são apologias ao álcool, que os músicos parecem considerar uma parte essencial da alegria festiva que pontificam - e eu, que tomo no máximo uma taça de vinho tinto em ocasiões muito especiais, sendo que isso nunca me impediu de me divertir, e já observei de perto (dentro da família, para ser mais exato) os efeitos devastadores que o álcool pode ter sobre a vida e a dignidade de uma pessoa, rejeito essa parte. Porém, boa música é boa música: desafio qualquer um a ouvir Vodka, que abre o álbum Karkelo, sem sair literalmente pulando pelo quarto - a música é maravilhosa, independente de eu nunca ter provado vodka na vida, nem pretender, e discordar totalmente do refrão "drinking is good for you". E há outros momentos em que é possível curtir igualmente música e letra, como no belo achado que é Paljon on Koskessa Kiviä ('As Corredeiras têm Muitas Rochas'), do Korven Kuningas, poema inspirado onde as corredeiras de um rio são uma metáfora para a vida, e as rochas, para as dificuldades e sofrimentos que enfrentamos nela. É interessante registrar, talvez como um paralelo, que o título do disco onde ela aparece quer dizer 'Rei do Rio'. Enfim, recomendo o Korpiklaani a qualquer pessoa que goste de boa música e não tenha preconceitos: é uma banda da qual tanto quem não curte som pesado quanto os "metaleiros" radicais devem passar longe. Pena que não pareça muito provável que os caras nos deem o prazer de vê-los tocar por estas paragens, pois algumas faixas que circulam na internet, gravadas no Wacken Open Air, na Alemanha, demonstram que mandam muitíssimo bem ao vivo, transformando qualquer plateia numa grande taverna... Bem, quem sabe? Surpresas às vezes acontecem. Kippis!


quarta-feira, janeiro 26, 2011

The Clans Will Rise Again


Sou fã de carteirinha do Grave Digger desde 1998, quando tive meu primeiro contato com a banda através de Knights of the Cross, então seu mais recente álbum. E não poderia ter tido uma introdução melhor, pois esse disco é um exemplo perfeito das características que eu viria a admirar tanto nessa banda alemã: pesquisa cuidadosa por trás dos temas históricos ou míticos (pois vamos concordar, já tem muita banda de "RPG metal" por aí fazendo letra tosca sobre dragão e espada) e um power metal de alta classe, cujo diferencial é a combinação mortífera de doses cavalares de peso e melodia. Normalmente se considera que, quando uma banda puxa muito num dos dois quesitos, tende a ficar devendo no outro; o Grave Digger é a prova viva de que não precisa ser assim, desde que se tenha o cacife necessário para juntar um peso que lembra uma coluna inteira de tanques de guerra com uma beleza melódica de tirar o fôlego.

É verdade, para quem até então sempre havia admirado cantores de voz clara e límpida, o vocal rasgadíssimo de Chris Boltendahl exigiu um pouco de tempo para que me acostumasse, mas logo constatei ser impossível não me empolgar com músicas como Baphomet, Monks of War, Knights of the Cross (faixa-título daquele álbum) e Lionheart - na verdade todas as faixas são matadoras, mas eu tinha que citar algumas. E nos anos seguintes, ao mesmo tempo em que ia adquirindo um a um os trabalhos anteriores, também comprava os álbuns novos logo que eram lançados, e o GD quase sempre manteve o nível, brindando-nos com um álbum magnífico atrás do outro: Excalibur (1999), The Grave Digger (2001), Rheingold (2003 - tive a felicidade de vê-los ao vivo na turnê desse disco), The Last Supper (2004), Liberty or Death (2006) e Ballads of a Hangman (2008), para citar apenas os discos de estúdio, pois houve ainda os ao vivo Tunes of Wacken (2001) e 25 to Live, gravado em São Paulo, em comemoração aos 25 anos da banda, em 2005. Por fim, no ano passado, Boltendahl e sua gangue trouxeram à luz o que é até o momento seu último "filho": este The Clans Will Rise Again.

E é na hora em que vou comentar o disco propriamente dito que vejo que não é por ser fã que se pode deixar de ver certos fatos quando eles se apresentam... Primeiramente, o conceito escolhido para o álbum já vem com um sabor de deja vu - para ser mais direto: de coisa requentada. No que parece uma tentativa de tirar um pouco mais de proveito de um trabalho antigo e bem-sucedido (o tipo de atitude que eu não esperaria do Grave Digger, diga-se de passagem), eles voltaram ao tema dos clãs escoceses e sua luta de séculos pela independência contra os ingleses, o que já haviam abordado em Tunes of War (1996), disco que deu início à melhor e mais respeitada fase da carreira da banda e trouxe pelo menos duas músicas que se tornariam obrigatórias em todos os shows: Rebellion (The Clans are Marching) e The Dark of the Sun. Com tantos temas históricos interessantes ainda esperando ser abordados, não dá para entender o motivo do "bis", a menos que seja mesmo vontade de viver das glórias do passado. Aliás, eu cheguei a mandar um e-mail para o Chris sugerindo a história de Vlad III da Valáquia, o vulgo príncipe Drácula, como tema para um disco - tem drama, batalhas grandiosas, carnificina, e a associação do personagem com o famoso vampiro permitiria um delicioso crossover entre dois climas que o GD sabe explorar como ninguém: o épico medieval e o soturno/sobrenatural (usaram fartamente este último no disco The Grave Digger, que homenageia Edgar Allan Poe). Ele respondeu no mesmo dia, mas com uma única frase: "Thanx for your idea and kind words. My best - Chris". Não o culpo, afinal fã dando ideia é o que não deve faltar... Mas continuo achando que seria melhor buscar temas inéditos do que apenas tentar sugar um pouco mais dos que já foram abordados.

Que ninguém me entenda mal: The Clans Will Rise Again não é um disco ruim - longe disso. As interpretações viscerais de Chris e o desempenho irretocável de seus colegas no manuseio de seus respectivos instrumentos fazem dele um trabalho que satisfará plenamente os ouvidos de qualquer apreciador de heavy metal bem tocado. O problema é a sensação de já termos "visto esse filme antes", mais o fato de que falta, aqui, aquele sólido embasamento histórico que era em grande parte o que tornava o Tunes of War tão interessante, ao menos para mim: cada faixa daquele álbum, além de seu mérito musical, narrava um capítulo da história da Escócia, com um rigor admirável que não tirava em nada a espontaneidade do que estava sendo tocado: Scotland United falava sobre o início das rebeliões no ano 1018, The Dark of the Sun era sobre o eclipse solar que serviu de sinal de encorajamento aos escoceses durante uma das mais duras batalhas que travaram, William Wallace (Braveheart) homenageava o mais famoso herói nacional da Escócia, The Battle of Flodden era redigida como se fosse a carta de um soldado escocês para sua esposa, narrando essa grande batalha em 1513 e a morte heroica do rei James IV. Coisas da mesma magnitude ficam faltando em The Clans Will Rise Again, onde quase todas as letras parecem hinos conclamando os escoceses à guerra, e esse papo de "lutar até a morte pela liberdade", "morrer pela Escócia", "reino de aço e sangue" e coisas que tais, embora cause seus arrepios quando colocado num contexto convincente (que era o que acontecia em Tunes of War) acaba soando tedioso e artificial quando é quase a única coisa de que se fala durante um disco inteiro (que é o que acontece em The Clans Will Rise Again). Não foi por acaso que a faixa que mais me agradou foi Highland Farewell, que, temperada por uma interessante melodia céltica em gaita de foles, presta uma homenagem nostálgica às Terras Altas escocesas: "Can’t you hear it? Can’t you see? / Magic islands, haunted hills / Where I live and dwell / Wherever I may wander, wherever I rove / My sunset and my dawn / Highland farewell". Bonito, indeed.

Em suma, este é um disco que os fãs do GD certamente vão comprar e considerar que valeu o investimento - pois, mesmo não estando entre as melhores coisas que eles já fizeram, ainda é Grave Digger - e que não-fãs apreciadores de metal de qualidade podem ouvir e gostar, sem dar muita atenção às letras, mas definitivamente não é o álbum que eu recomendaria a um neófito interessado em ser apresentado a essa grande banda de power metal.

quinta-feira, junho 03, 2010

Adeus ao Mestre

Já faz um certo tempo que deixei de acreditar naquele lugar-comum de que "nada é por acaso"; embora inegavelmente confortador, esse surrado aforismo simplesmente não encontra sustentação nos fatos. Porém, há uma outra frase que, bem menos repisada, continua a me parecer que tem chances de ser verdadeira. Esta diz que "tudo acaba onde começou". Pois foi meu irmão, a mesma pessoa que, há mais de 20 anos, me apresentou a admirável música de Ronnie James Dio, quem me deu, na sexta-feira, 21 de maio, a notícia de que o golden voice havia falecido cinco dias antes, no domingo, 16 - ele comentou o fato comigo quando cheguei em casa na noite de sexta, depois de, como de costume, passar a semana fora a trabalho.

Dio faria 68 anos agora em julho. Nascido em meio à tensão da Segunda Guerra Mundial, foi testemunha ocular do surgimento do rock’n’roll, que coincidiu aproximadamente com sua adolescência. Ao longo de uma carreira de quase 50 anos, viu e fez muita coisa, sendo que, durante as últimas três décadas e meia, esteve entre os principais responsáveis pelos grandes feitos praticados por nada menos que três das maiores bandas de toda a história do som pesado. Primeiro, no Rainbow, onde sua curta mas inspiradíssima parceria com o grande guitarrista Ritchie Blackmore produziu, durante cerca de três anos, um generoso punhado das coisas mais pungentemente belas que já ouvi: a simples menção de títulos como Catch the Rainbow, Snake Charmer, Sixteenth Century Greensleeves, Tarot Woman, Stargazer, Gates of Babylon e Lady of the Lake atinge como flechas o coração de qualquer um que conheça essas músicas. Mais tarde, foi a vez do Black Sabbath, onde a entrada de Dio calou a boca dos que achavam que a saída de Ozzy Osbourne seria o fim da banda (aliás, sem tirar o valor de Ozzy, sempre preferi Dio, um cantor que dava mais importância à música e menos ao showmanship, fora o fato de eu achar sua voz incomparavelmente mais bonita e de sua técnica ser indiscutivelmente superior). Por fim, Dio teve sua própria banda, que levou seu nome, e nela conseguiu mostrar que o peso do heavy metal, alimentado por sua voz incomparável e pelos solos únicos e empolgantes do jovem guitarrista irlandês Vivian Campbell, sem falar da participação de vários outros músicos extraordinários, envolvendo letras oníricas e inspirativas, por vezes de uma profundidade atordoante, podia impulsionar os sonhos de muita gente. Nos últimos tempos, novamente ao lado dos companheiros do Black Sabbath, embora com o nome Heaven and Hell, gravou dois discos excelentes e criou altas expectativas em todos os seus fãs... Expectativas que terminaram de repente em 16 de maio.

Tive a felicidade de estar presente em dois shows de Dio com sua banda própria - um em Porto Alegre, em 2001, e outro em São Paulo, em 2006. E afirmo que ele foi mais do que apenas um cantor formidável (embora eu não consiga pensar em nenhum outro vocalista de metal que sequer chegue perto dele) e um excelente letrista e compositor. Soube ser tudo isso à sua própria maneira, construiu sua própria lenda talvez sem perceber que estava fazendo isso: como um bardo medieval, falava à imaginação de quem o ouvia, e mexia com emoções que, uma vez postas em movimento, faziam de quem ouvia sua música uma pessoa diferente - se a música fosse ouvida do jeito certo, que não pode ser expresso com palavras. Dio fazia-nos ver que existe magia em lugares onde pessoas comuns não a enxergam. Como ele dizia, olhar para um arco-íris e não sentir nada é já estar morto. Não com seu discurso, mas com sua música (pois, ao contrário de outros astros de rock, Dio nunca foi de fazer discursos messiânicos), aprendi que sonhar é necessário, e que o mais importante não é se é possível ou não que nossos sonhos se realizem - pelo simples fato de existir, o sonho nos modifica para melhor.

Descanse em paz, Ronnie James Dio. Seu coração sagrado continuará a ser para nós como um arco-íris na escuridão.

Sacred Heart

(Dio/Appice/Bain/Campbell)

The old ones speak of winter
The young ones praise the sun
And time just slips away

Running into nowhere
Turning like a wheel
And a year becomes a day

Whenever we dream
That's when we fly
So here is a dream
For just you and I

We'll find the Sacred Heart
Somewhere bleeding in the night
Look for the light
And find the Sacred Heart

Here we see the wizard
Staring through the glass
And he's pointing right at you

Now you can see tomorrow
The answer and the lie
And the things you've got to do

Oh, sometimes you never fall
And ah - You're the lucky one
But oh - Sometimes you want it all
You've got to reach for the sun

And find the Sacred Heart
Somewhere bleeding in the night
Oh look to the light
You fight to kill the dragon
And bargain with the beast
And sail into a sight

You run along the rainbow
And never leave the ground
And still you don't know why

Whenever you dream
You're holding the key
It opens the door
To let you be free

And find the Sacred Heart
Somewhere bleeding in the night
Run for the light
And you'll find the Sacred Heart

A shout comes from the wizard
The sky begins to crack
And he's looking right at you - Quick
Run along the rainbow
Before it turns to black - Attack

sábado, setembro 20, 2008

Too Late


(Jonas Hansson/Silver Mountain)

Turn on the light, I can't see, I need a heel

Where's the sun, what has happened to me?
I cannot walk, cannot hear what you say

And I've lost all my feelings, so please

Give me the answers

I can't remember
Give me some new legs
Where is your power?


Something has happened to me, I don't know what it is
But I think that I'm dead
Trying to scream, I'm not sure if I'm dreaming
But everything changed all around

Where is the future?
I can't remember
What am I doing?
Ain't got no answer

Some people don't understand
They're just living and loving and dying
They do not search for anything
Some people don't give a damn
They're just living and loving and dying
But it's too late when you are dead

Inside my mind I can hear, I can see
But my body is stiff, that's for sure
If I could live once again I would never be sitting around
And I know

There is no answer
Do what you can
Soon you can save me
Forever and ever

Some people don't understand
They're just living and loving and dying
They do not search for anything
Some people don't give a damn
They're just living and loving and dying
But it's too late when you are dead

quarta-feira, abril 30, 2008

Maidens of War (tradução livre)


Pai, conta-me o que Te perturba
Como Tuas preocupações inquietam Teu filho
Eu vi os olhos dele, ouvi suas palavras
Eu percebi a angústia solene do herói.

Confia em mim, eu sou leal a Ti
Mas eu não posso matar
Teu filho, Teu sangue.

Matando, lutando pela vitória
Matando, enfrentando o inimigo
Matando, lutando, em agonia
Matando, morrendo, pela glória

Donzelas da guerra
Filhas dos deuses
Adeus - Adeus!
Donzelas da guerra

Assassino, Tu mataste Tua própria carne
Por que negas o amor com dor e morte?
Tua lança destruiu a gloriosa espada
Partida para sempre em aço sem nome.

Matando, lutando pela vitória
Matando, enfrentando o inimigo
Matando, lutando, em agonia
Matando, morrendo, pela glória

Donzelas da guerra
Filhas dos deuses
Adeus - Adeus!
Donzelas da guerra

Por quê, por quê, por que cometer tão cruel assassínio?
Por quê, por que, por quê? Estou aprisionada pelo fogo sagrado.

Donzelas da guerra
Filhas dos deuses
Adeus - Adeus!
Donzelas da guerra

quarta-feira, abril 09, 2008

Vivo

Posso pensar numa infinidade de coisas melhores para se fazer numa bela e amena manhã de quarta-feira quando se está de férias (uau!), mas, como era necessário, lá fui eu para um representante autorizado da Vivo, a fim de providenciar a troca do meu velho aparelho. Por mim, continuaria com ele, que sempre me serviu muito bem ao longo de anos, só que, como o "progresso" não pára, a tecnologia TDMA deixou de funcionar este mês; então, querendo ou não, eu teria que adotar um celular mais "muderno". Algumas semanas atrás recebi uma ligação da Vivo prometendo enviar alguém para fazer a troca na minha casa num prazo de sete dias úteis, mas, como ninguém apareceu, tive que me mexer para não acabar ficando sem o serviço.

Chegando ao local, meu primeiro pensamento foi que devia ter deixado a preguiça de lado e acordado bem mais cedo: naquele momento passava um pouco das oito horas e já havia diante da porta da loja (que só abriria às nove) uma longa fila de pessoas movidas pela minha mesma necessidade. Tomei lugar no fim da fila e coloquei nos ouvidos os fones do meu discman, que tivera a boa idéia de trazer comigo, juntamente com um bom livro. Tinha escolhido um CD de MP3 já pensando nessa situação: mais de 120 músicas de boas bandas de hard rock e heavy metal. Gosto de muitos tipos de música - rock, new age, MPB, música clássica, alguma coisa de blues... - mas, para longas esperas em filas, prefiro ouvir sons pesados, porque é melhor para isolar tudo o que venha de fora dos fones. Change to random mode and press play... (Stratovarius, Forever Free, 6:00) Enquanto o excelente metal melódico da banda finlandesa começava a se derramar dos fones, percorri a fila com os olhos e avaliei que ficaria ali algumas horas, já que cada pessoa, ao ser atendida, precisava escolher um novo aparelho, ter seu bônus verificado, e, conforme o caso, negociar a forma de pagamento, além do procedimento de transferência da linha, o que, tudo junto, deveria demorar cerca de uma hora por cabeça. Ao contrário do senso comum, que seria ter pena de mim mesmo e dos outros clientes, fiquei com pena dos funcionários, pois sei, por uma longa experiência, que só há uma coisa pior que esperar horas numa fila: estar sentado atrás de um balcão, atendendo as pessoas que esperaram horas numa fila.

(Dio, Sacred Heart, 6:20) Depois de aproximadamente uma hora na fila, por fim cheguei perto do terminal onde um funcionário distribuía as senhas, de acordo com o serviço que o cliente necessitasse. Ou seja, era uma hora de espera apenas para tirar a senha e poder realmente começar a espera que contava. Observei distraidamente uma senhora gesticulando enfaticamente e movendo os lábios com energia, enquanto o funcionário assumia aquela expressão de paciência martirizada que bem conheço. Em pensamento, dei os parabéns a mim mesmo por ter trazido o discman: sentia-me contentíssimo de não poder ouvir uma palavra do que estava sendo dito.

O fato é que, ao me ver em situações semelhantes, como costumava acontecer nos bancos há poucos anos (antes de os abençoados terminais de auto-atendimento praticamente eliminarem a necessidade de se entrar nas agências), sempre preferi aproveitar o tempo para algo de construtivo, como ler, por exemplo. Enquanto isso, a quase totalidade das pessoas à minha frente e atrás de mim usavam esse tempo reclamando azedamente umas com as outras e xingando todo mundo que lhes ocorresse xingar, desde o governo até os funcionários nos guichês. Suponho que experimentassem com isso alguma espécie de satisfação deturpada que nunca serei capaz de entender. (Edguy, Catch of the Century, 4:03) Pergunto-me, e desafio qualquer pessoa que me leia a dar uma resposta razoável: ficar se irritando e jogando bílis no próprio sangue tem o poder de fazer uma fila andar mais depressa? Então, para que desperdiçar energia com algo que terá o único efeito de tornar sua própria existência um pouco mais miserável?

A mesma coisa, com as alterações adequadas a cada situação, pode ser aplicada a um grande número de áreas da nossa vida diária, e acho surpreendente que a vasta maioria das pessoas nunca se dêem conta disso. O stress existe, é uma realidade e por vezes não temos como fugir dele - mas por que não nos contentamos com o stress que a vida se encarrega de nos impor, e ainda fazemos questão de nos estressar voluntariamente quando isso é desnecessário e inútil?

domingo, março 09, 2008

Dreamer


(Joey Tempest/Europe)

He is down by the riverside
Late one night
He's tryin' to count the stars
In each of the signs.
All alone by the riverside
And time passes by
Gathering thoughts of the past
And maybe he'll cry...

So they say he's a madman
And he don't understand
But I know that he's tryin' hard
To act like a man.
All those years he has suffered, my friends
All those years of pain
But I don't think he knows for sure
If those years were in vain.

He's a dreamer
And he's fightin' for his life.
He's tryin' to understand
He's a dreamer
But he wants to carry on
Yet I know he's a lonely man.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

At the End of the Rainbow

As long as I remember
We've marched across this land
Oh, oh...
Reached for a new horizon
Pulled by the killing hand
Oh, oh...

All fed up with lies
The time has come
To break these chains and fly

Here we stand, bound forever more
We're out of this world, until the end
Here we are, mighty, glorious
At the end of the rainbow
With gold in our hands

We know the treasure lies
Beyond the pouring rain
Oh, oh...
Our quest will last forever
For you it's all the same
Oh, oh...

No one can deny
Our future's set
To reach above the sky

Here we stand, bound forever more
We're out of this world, until the end
Here we are, mighty, glorious
At the end of the rainbow
With gold in our hands

Let's fly away through the rain
Fly high, to ease the burning pain
Oh, the colours fading out
The light is shining in the night
It's up to you, it's worth the fight
Search before the colours fade

Here we stand, bound forever more
We're out of this world, until the end
Here we are, mighty, glorious
At the end of the rainbow
With gold in our hands
* * *

Ser humano é uma coisa muito complicada. Sei que não estou dizendo novidade alguma, mas fazer o que se meus pensamentos andam girando numa órbita que tem esse manjadíssimo fato como eixo central? Eu até poderia dizer que ser humano é complicado, a menos que você se contente em ser um sujeito comum, sem maiores aspirações intelectuais ou artísticas, do tipo que trabalha, assiste futebol, come, dorme, e pouco mais - mas acho que nem mesmo sendo um desses dá para escapar da complicação homérica inerente à condição humana. A mim, pode parecer que quem se contenta com isso tem uma vida simples (simples demais para o meu gosto...), mas na realidade é provável que mesmo esses se vejam às voltas com seus próprios problemas, que para eles também podem parecer bem complicados. That's it.

Para não endoidar no meio disso tudo, acredito que a atitude que temos perante nós mesmos é de fundamental importância. Essa atitude, pelo menos para mim, está sintetizada na resposta que a criatura dá a si própria quando se pergunta: "Vem cá, por que é que você está enfrentando tudo isso? Por que se dá a todo esse trabalho?" E, chamem-me de ingênuo se quiserem, não dou a mínima: para mim é preciso acreditar que o bem ainda é possível, que a beleza é real, que podemos ser gentis e honestos uns com os outros, que é preciso, sim, ter princípios e tentar agir de acordo com eles - tentar, eu disse, pois somos todos falhos e limitados. É fácil não acreditar em nada, dizer que vivemos num mundo podre, que ninguém presta, que nada vale a pena, tornar-se cínico e amargo: é fácil, facílimo, é a coisa mais fácil do mundo, porque, se você se convence de que é assim, tem a desculpa perfeita para ficar destilando seu azedume e não mover uma palha para fazer algo de bom por si mesmo, pelos outros ou pelo planeta. E ainda passa por inteligente aos olhos de muitos!... Não que isso faça diferença para alguém, mas, de mim, esses tipos só receberão desprezo.

Conseguindo ou não chegar ao fim do arco-íris, independentemente disso é preciso segui-lo, é preciso levantar a cabeça, fazer o que pudermos para encorajar nossos companheiros que estão desanimando - e encorajar o outro sempre renova também nossas próprias forças - e ir em frente. Muitos vão ficar pelo caminho, e, se optarem por virar cínicos azedos, nada mais poderemos fazer por eles. Se há ou não ouro ao final do caminho, talvez nunca venhamos a saber, mas, se pensarmos bem, viver seguindo um arco-íris não vale mais que todo o ouro do mundo? Alcançar ou não o objetivo final é uma coisa incerta, como quase tudo nesta vida, mas, mesmo que não o alcancemos, só o fato de termos tentado honestamente e com o coração, já será o bastante para que na hora da morte possamos concluir que não vivemos inutilmente
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